segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

A Morte do Pai

Para Freud, a morte do pai é o "evento mais importante, a perda mais decisiva na vida de um homem". (Citado por Sérgio Telles). É como se de repente o norte sumisse. O vazio. Sozinho dentro da esfera em busca de uma direção. Ao redor apenas o nada.
A figura paterna é muito forte para o homem. Sua presença nos serve de exemplo a ser seguido. Sua ausência física nos deixa como que vulneráveis. É como se, apesar de sabermos nadar, de repente nos víssemos sozinhos no meio do oceano, sem nosso treinador. Seus ensinamentos estão incrustrados em nossa mente, sabemos exatamente o que devemos fazer, mas a sensação de estarmos por nossa conta nos arrebata.
Crescemos, olhamos o mundo com outros olhos. Aquele que nos servia de modelo e era sempre motivo de admiração a a quem queríamos sempre agradar não está mais lá. É um farol no meio do nevoeiro. Enchergamos a luz, mas não a construção. E esta luz nos impede de chocarmos com as pedras, nos garantindo uma chegada tranqüila.