A Consciência da Morte
Mortes violentas são traumáticas. Nos retiram alguém de modo abrupto, sem que tenhamos tempo para refletir. O sofrimento é muito grande e a dor imensurável. Quando ela muda a ordem natural então é ainda mais terrível. Foi assim com o acidente que levou minha irmã mais nova, há quase vinte anos.
Mortes lentas por doença são terríveis para o enfermo, mas dão tempo à família de se acostumar com a idéia, por mais sádica que seja a situação.
Todos esperamos que os mais velhos morram antes dos mais jovens. Primeiro os pais, depois os filhos. Desde pequenos somos preparados para a característica mortal do ser humano. Somos apresentados à morte como algo presente. Tomamos consciência de que nossa estada neste mundo é finita. E mesmo assim, quando a morte nos visita, levando alguém que nos é querido, não conseguimos segurar a dor que nos arrebata.
Religiões têm o papel de nos trazer conforto e esperança. Mostrar que a consciência da morte, característica humana, é justamente o que nos qualifica como imortais de espírito. Assim, não desaparecemos, simplesmente mudamos de essência e nos aproximamos de Deus.